Josimar Salum
Interpretar corretamente os textos que lêem é o maior desafio para pastores, líderes, enfim, para irmãos e irmãs.
Nesta era de “torpedos - text messages” e “emails” lemos tudo apressadamente e interpretamos tudo sem ponderação, meditação... sem pensar.
Às vezes agimos com estultícia, como diz a Palavra: “Responder antes de ouvir (no caso ler), estultícia é.” E como completaria o sábio e não o jornalista da TV brasileira: “Uma vergonha.”

A pergunta que Filipe fez ao eunuco da Etiópia “entendes tu o que lês?” continua valendo ainda hoje para cada um de nós de uma forma mais ampla ainda.
Entender o que se lê é a chave para a correta interpretação das Escrituras e para a o próprio entendimento das comunicações que recebemos.
Recebi dezenas de emails com comentários sobre o texto “O que decidi sobre o Natal”.
Alguns reafirmavam tudo o que havia escrito como se tivesse escrito o contrário.
Respondendo um dos emails disse ao pastor que ele não havia lido o texto completamente, pois se tivesse lido não teria escrito o que escreveu. Ele escreveu-me novamente dizendo que realmente não havia lido o texto por completo, por isto tinha feito algumas conclusões precipitadas.
Lendo a maioria dos emails com seus comentários, a impressão que tive foi esta mesmo, que muitos não leram o texto todo ou desistiram de ler porque aparentemente eu afirmava o contrário do que criam. E embora tenham o direito de pedirem para cancelar futuros recebimentos alguns o fizeram porque disseram que discordaram.
É que geralmente somente lemos o que nos interessa ou o que vem confirmar o que já pensamos. Com isto, perdemos oportunidades preciosas para aprender algo novo.
Algumas comentários que recebi foram de repreensão mesmo. Também por não entenderem o que escrevi. Entenderam que o que escrevi foi para não celebrar o Natal e nem celebrar as festas judaicas.
Um irmão que me conhece a muito tempo escreveu:
“Pr. Josimar, então agora você é satanista! Porque são eles quem rejeitam o Natal. Não importa para mim esta origem. Eu quero é comemorar o nascimento de Jesus. O que outros pensam e escrevem a respeito não me importa. Eu não sou crente mamadeira. Rejeito este pensamento ou ideologia dos satanistas.”

O pior é que rompemos com todos os que discordam de nós. Sim, rompemos facilmente relacionamentos com pessoas que não concordam conosco, pessoas genuinamente cristãs. Tomamos a opinião contrária como algo pessoal, como inimizade, e cortamos todo o relacionamento. Amigos rompem uns com os outros. Famílias se dividem. E especialmente igrejas. Porque nossas opiniões são mais valiosas que nossos relacionamentos e amizades.
Tenho amigos judeus messiânicos, outros irmãos que abominam as comemorações do Natal em todos os sentidos, nem por isto, deixam de ser meus amigos.
Observando outro aspecto, examinamos tudo, como aconselha a Bíblia, mas retemos somente o que é ruim discordando da segunda parte do versículo que diz para retermos o que é bom.
Outro comentário, de um irmão amado, judeu messiânico:
“Fiquei muito feliz ao saber da sua franca e sincera decisão de não celebrar mais o natal “cristão”, que em qualquer enciclopédia trás claramente a origem pagã desta festa.
“Veja que eu também, embora judeu messiânico, sou contra o judaísmo nas igrejas, mas sou tremendamente favorável à volta e aos princípios da Igreja do Primeiro século, que poderiam ter suas raízes romanas, ou gregas, ou egípcias, mas aprouve Deus, que ela tivesse suas raízes judaicas, dos profetas e do messias judeu. Isto não é judaísmo humano, isto é bíblia em seu contexto original.”
Outros escreveram discordando mesmo de tudo. Tudo bem.
E outros agradeceram pelo texto.
Um pastor escreveu o seguinte:
“Shalom! Muito, muito, muito obrigado por este artigo. Estou cem por cento contigo, nem oito e nem oitenta, temos que ter equilibrio e infelizmente existe crente que vê paganismo em tudo, e não vê Deus em nada.”
Um outro irmão escreveu o seguinte:
“Quero aqui expressar o meu agradecimento e lhe elogiar pelo seu equilíbrio e objetividade. Como judeu Messiânico, quero lhe agradecer por escrever palavras tão sábias. Que o Senhor Jesus continue lhe usando. Quanto os crentes que inventaram esta moda de não celebrar o Natal, é bom que eles arranjem algo para celebrar, pois conheço muitos que não celebram o Natal , mas vibram com as vitórias dos seus times de futebol (o que não tem nada errado também).”
Um missionário escreveu do Nepal. Vale a pensa visitar o site de seu ministério:
www.meninasdosolhosdedeus.com.br
“Gostei da matéria. Fui surpreendido pela visão que expôs e da forma. Pois ganhamos caixas de presentes do Japão, Brasil e dos Estados Unidos. Ontem reunimos e distribuímos às meninas e às crianças nepalesas conosco, em uma grande tenda. Mais de 200 pessoas presentes. Houve cantata e 42 batismos de meninas. Foi tudo muito bonito. Comida gostosa e nada de idolatria. Os vizinhos vieram. Os guardas do nosso condomínio vieram e ouviram a mensagem de Jesus. Sua matéria foi muito lucida e sem radicalismos extremos.”
Ao escrever um texto, usamos às vezes alegorias, figuras de linguagem e até argumentos imaginativos.
Comecei o artigo assim: “Decidi. Imagine só... Decidi..."
A expressão "imagine só" foi inserida no texto para deixar claro logo no primeiro parágrafo do artigo que o que escreví podia ser exatamente o que não queria dizer. E ninguém deveria chegar a nenhuma conclusão sem antes completar a leitura do artigo.
Continuei nesta linha para não parecer contraditório nem traiçoeiro, não faltar o respeito e para não deixar o leitor com alguma dúvida. Mais ainda para incentivar o leitor a ler todo o texto, para que não fosse enganado, para que viesse a não se sentir enganado.
"Se é assim mesmo (ou seja, se é isto que realmente decidi), peço encarecidamente que me entenda. Entenda bem e interprete corretamente o que estou escrevendo. Leia aqui as razões colhidas de “emails” e cartas que tenho recebido e de artigos e livros que já lí. Peço-lhe que analise e medite bem e com honestidade, sem preconceitos, as minhas próprias razões. Sendo assim, ao final você chegará a conclusão que desejar, mas também não me julgará pela decisão que realmente tomei."

Percebeu? Se o leitor ler o texto até "ao final" não me julgará pela decisão que realmente tomei. Nem me condenará se for o contrário do que pensa.
Na construção do texto como mostrei claramente, o que decidi no início não foi exatamente o que o leitor podia estar interpretando, mas aproveitei para continuar gerando um suspense, e estabeleci muitos argumentos na outra direção ao questionar a observância das festas judaicas.
Mesmo assim conclui:
“Mas se algum cristão ou igreja quiser celebrar estas festas com os judeus, mesmo não sendo judeu, não existe nenhum texto nas Escrituras, especialmente no Novo Testamento, que proíba, desde que não se sacrifique nenhum cordeiro e não se imponha aos outros estas celebrações como as outras, Tabernáculos, Colheita, etc.“
“É bem verdade que não existe também nenhuma menção no Novo Testamento da celebração do Natal entre os díscipulos, como também não existe nenhuma proibição.”
“Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.” (Colossences 2:16-17).
É neste contexto que afirmo:
"Se decidi mesmo, seguindo esta corrente evangélica da não comemoração do Natal, não darei mais presentes para meus familiares e amigos porque “troca de presentes... nesta data significa que adoramos a um deus pagão, onde o ritual nórdico exigia que eles fossem para as montanhas de madrugada e lá chorassem em sacrifícios. Esperavam os primeiros raios de sol da manhã e entregavam presentes uns aos outros, em adoração, dizendo: “Que você jamais esqueça dos deuses sobre nós”.
Ao afirma "se decidi mesmo" deveria levar o leitor a perguntar a si mesmo. O que ele realmente decidiu? "Estou confuso. Então devo ler o texto até ao final para realmente saber o que o escritor decidiu."
“O presente significa eternizar o pacto, trazer a benção dos deuses. Tertuliano, teólogo católico, disse que não podia compactuar com essa mentira, o sol nunca pode ser deus, porque o Deus dos cristãos foi Aquele que criou o sol.”
Ao afirmar "se decidi mesmo deveria fazer o leitor indagar... Será que ele decidiu mesmo não comemorar o Natal por conta do que Tertuliano disse?"
É neste contexto que vem algumas perguntas e afirmações para derrubar este mito de que quem dá presente hoje "adora deus pagão."
"Qual é o discípulo de Jesus que em sã consciência daria um presente ao seu filho como se estivesse adorando ao Sol?"
"Que poder é este que este mito tem em impor um significado ao meu gesto de dar um presente como se tivesse adorando alguma divindade?"
"Como se ao subir a escadaria da Igreja da Penha me fizesse um devoto de “Nossa Senhora”, tomasse um banho no Rio Ganges me fizesse um praticante da purificação hindu ou se ao visitar Meca me tornasse um mulçumano."

Neste ponto faço uma série de afirmações contundentes:
"Não faz mal, a despeito do “frenesi” mercantilista das lojas, desfrutar das nuances culturais do Natal, ou seja, de seus aspectos e das tênues diferenças entre eles, desde que não me torne partícipe das obras infrutuosas das trevas que são a avareza, a idolatria, a impureza e a cobiça. (Ver Efésios 5)"
"Que mal ou que pecado existe em admirar-se na época de Natal a criatividade das ruas enfeitadas com luzes brancas, vermelhas e azuis; em meio ao calor dos dezembros brasileiros imaginar a neve olhando para o algodão branco nas árvores e no chão ou de dar e receber presentes sem com isto estar adorando algum deus?"
"Pois na verdade, os pais, discípulos de Jesus que dão presentes aos seus filhos não têm nada a ver com esta prática nórdica, nem sabem lá o que significa isto!"
Caminhando para finalizar o texto, a partir daí, começo a mostrar o que realmente o que penso em relação ao Natal.
"Ontem participei de um concerto de Natal na escola de meu sobrinho Filipe."
"Fiquei maravilhado só em pensar que somente aqui nos Estados Unidos milhares e milhares de escolas celebraram esta semana a mesma festa, uma tradição desde os primeiros colonizadores cristãos que aqui chegaram, numa época que não havia “shopping centers” nem toda esta “extravaganza” relacionada com esta data."
"Ao mesmo tempo, fiquei aterrorizado só de pensar que tudo o que está relacionado ao Natal, especialmente e exclusivamente no que diz respeito ao nascimento de Jesus, a única coisa que ainda resta de menção a Jesus Cristo, no meio do que hoje conhecemos ser esta cultura corrompida e perversa, venha a desaparecer por conta de um movimento de evangélicos para acabar, destruir e eliminar o Natal e as suas festividades."
"Fiquei aterrorizado em pensar seriamente que é assim mesmo que acontece na Rússia, na Coréia do Norte, no Vietnan e na China comunistas com seus bilhões de habitantes, nos países mulçumanos também com seus milhões e milhões de habitantes, em toda a Índia e seus países vizinhos com seus milhões e milhões de habitantes, enfim, em praticamente toda a Ásia e Oriente. Não existe Natal!"
"Quando seus milhões e milhões de crianças acordam pela manhã no dia 2 5 de Dezembro não existe a mínima menção ou mesmo a ínfima possibilidade de alguém perguntar que data é esta tão especial a respeito de um nome Jesus."
"Porque a metade do mundo não conhece os paganismos do Natal, é verdade, muito paganismo; não conhece a alegria de presentes que se encontram no caminho, que compartilhados hoje não têm nada a ver com a prática dos pagãos de centenas de anos atrás, mas também não podem ouvir a história do Salvador que veio ao mundo, que nasceu em Belém, seja lá que dia foi. Não ouvem sobre o Deus que se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua Glória como a Glória do Unigênito do Pai."
"Decidi sim, só na imaginação, que jamais celebraria com meus familiares e milhões e milhões de cristãos o Natal de Yeshua, sim, o nascimento de Jesus."
"Somente numa leve imaginação deixaria de cantar Seus hinos lindos, do Salvador que veio ao mundo."
"Só na imaginação e muito passageira, deixaria de perder a oportunidade para proclamar a Mensagem da Cruz e o significado de Seu Nome, o Salvador dos pecados de seu povo, no meio de toda esta comercialização avarenta e de todos os símbolos pagãos que foram associados ao Nascimento do meu Salvador."
"Decidi sim, só como um leve vapor em minha cabeça riscar de vez a única oportunidade de proclamar e redimir a verdadeira mensagem do Evangelho do Reino que ainda resta no meio da cultura."
"Quem nasceu em Belém não foi um menino. Quem nasceu em Belém foi o Rei de toda a Terra"