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23 maio 2006

“Era inverno, e Jesus estava no templo…”

Expressão belíssima! 

“Era inverno, e Jesus estava no templo...” (Jo.10:22-23) 

E o Espírito Santo ministrou ao meu coração que se abarrotou de esperança.

É inverno, está muito frio, mas Jesus está no templo...

Por estar no templo, local interno, mesmo não tão aconchegante, o átrio não era cercado de paredes, a estação do inverno parece não ter importância. Aliás, se é inverno ou verão, se faz calor ou se faz frio ou se está chovendo ou se brilha o sol, não conta. O que conta mesmo é que o Mestre está no templo.

Se os adoradores se afastaram do templo porque preferiram permanecer em suas casas... Se as atividades religiosas dos sacerdortes diminuíram pela falta de demanda... Se os cantores não cantam mais... Se as orações não são mais tão fervorosas como antes... Se os poucos adoradores que se arriscaram a atravessar a cidade, para irem ao templo cultuar, não conseguem permanecer alí mais que uma hora... Não faz diferença... Aliás João não fez menção de nenhum deles. Ele registrou apenas: “Era inverno, e Jesus estava no templo...”

Nós, que vivemos em países onde as estações do ano são marcantes e significativas, já experimentamos e bem sabemos como é a chegada do inverno. Logo a neve começa a cair e cobre toda a terra ao redor, as temperaturas caem abaixo de zero, tudo congela e todo o sinal de vida parece que desaparece, a não ser alguns esquilos teimosos que saem de suas tocas e insistem em brincar pelos galhos das árvores secas. Os pássaros deixam de cantar porque não existem mais; voaram para bem longe onde as águas nunca congelam nem as folhas das árvores nunca caem e onde as árvores não deixam de produzir seus frutos.

O inverno também chegou para o profeta Jeremias e trouxe-lhe desalento, tristeza, frustração e um clamor de alma profundo: “Passou a sega, findou o verão e nós não estamos salvos.” (Jr. 8:20). Ele se referia a apostasia do povo de Deus. O povo não tinha sido salvo de sua apostasia. Os brotos e as flores da primavera, o calor escaldante do verão, o outono e a sega com seus frutos passaram, e o povo de Deus continuava dando sinais de apostasia e abandono de seu relacionamento com o Senhor, seu Criador.

Senão, vejamos:

Primeiro, “retem o engano, não quer voltar.” (Jr. 8:4). É preciso voltar à Palavra de Deus e ao conhecimento das Escrituras. É preciso retornar a uma devoção fervorosa à obediência dos mandamentos do Senhor.

De acordo com I Timóteo 4:1-4 o tempo em que não se suporta a sã doutrina já chegou. Muitos com comichão em seus ouvidos amontoam mestres para si mesmos conforme às suas próprias ambições e desejos, preferindo ouvirem fábulas e ensinos falsos do que a Palavra do Senhor.

Ensinamentos falsos entram nos arraiais do Senhor com a mesma facilidade que as companhias de tv a cabo conseguem vender seus planos aos cristãos. É que a devoção aos programas de televisão roubou dos crentes a capacidade de pensar, roubou o tempo para relacionarem-se em família onde os cultos domésticos não são mais praticados, quando a Palavra usava ser lida para a família e os filhos podiam inquirir seus pais sobre as verdades do Evangelho.

Quanto aos ensinos falsos, não são confrontados por causa da ignorância da Palavra do Senhor. “...Eis que rejeitaram a Palavra do Senhor, que sabedoria pois teriam?” (Jr. 8:9) Em nosso meio qualquer ensino falso na medida que o tempo passa, torna-se comum e aceitável pela complacência ou letargia espiritual, que logo assimila a heresia como algo sem importância. A nossa Unidade nunca pode ser maior que a Verdade do Senhor. Em nome da união e da unidade não se pode desprezar a Verdade. “Ao homem hereje, depois de uma ou outra admoestação, evita-o.” (Tt. 3:10)

Segundo, “cada um deles se dá a avareza, desde o profeta até ao sacerdote, cada um deles usa de falsidade.” (Jr. 8:10).

É sinal do fim dos tempos a prática da mercantilização da fé. “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas...” (II Pe. 2:2). 

No meio evangélico hoje é tão comum quanto escandalosa a prática da cobrança de cachês para se cantar e pregar em igrejas e eventos. Cantores que cobram e exigem pagamento adiantado para cantarem em igrejas como também exigem venda garantida de seus cds. E cancelam “apresentações” pela falta do pagamento da entrada. Corruptor e corrompido se ajuntam para ofender ao Senhor da obra que diz que “é dígno o obreiro de seu salário”(Mt. 10:10), mas “também expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. 

E disse-lhes: Está escrito: A Minha Casa será chamada de Casa de Oração – mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” (Mt. 21:12-13).

Amados, não me refiro àqueles que receberam do Senhor uma mensagem, comporam canções, gravaram cds, videos ou escreveram livros, e os anunciam ao povo de Deus para os adquirirem. Não creio que o Senhor considere a estes cambistas. Refiro-me, por exemplo, àqueles que gastam 20 minutos de uma reunião de culto para anunciarem seus livros e cds, tendo já acertados suas “ofertas” de antemão. Ministram por dinheiro e seu meio de vida é o Evangelho. Há uma diferença entre viver do Evangelho a ter o Evangelho como meio de vida. (I Co. 9:14), “cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” (I Tm.6:5)

Assisto estarrecido alguns pregadores falarem tanto sobre moral e ética e sujeitarem-se a cobrar milhares de reais e dólares para atenderem convites. As palavras de Jesus “De graça recebei; de graça dai...” há muito perderam o sentido para estes mercadores do Evangelho. Que se arrependam e voltem à prática das primeiras obras.

Lí estarrecido um contrato que uma determinada pregadora enviou para um pastor amigo nosso, especificando com detalhes os aspectos comerciais, as solicitações de conforto para a equipe, o preço, as condições, as formas de pagamento, enfim todos os aspectos jurídicos de um contrato de prestação de serviços... Perguntei a mim mesmo com que base bíblica um pregador do Evangelho, ungido, chamado e enviado por Deus pode fazer tais exigências. Meu amigo cancelou o convite.

E terceiro, “e curam a ferida da filha do Meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz, quando não há paz.” (Jr. 8:11)

Não há paz quando não se crê em Jesus. Prova-se que não se crê em Jesus quando se pratica tudo o contrário do que falou e ensinou.

Jesus disse: “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz e Eu as conheço e elas Me seguem.” (Jo. 10:27). A prática da fé é baseada na Palavra do Senhor. “Sendo, pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm. 5:1) A fé que vem pelo ouvir a Palavra do Senhor.

As práticas de Jesus precisam ser imitadas por nós hoje. A Verdade proclamada por Ele atestava ser Ele o Cristo. Eram Suas práticas e Seus ensinos o que qualquer um podia invocar para reconhecê-Lo como o Messias prometido.

Quando seguimos a Jesus deste modo qualquer um pode verificar que somos Seus seguidores legítimos. Mais pelas nossas ações que pelas nossas palavras, pois afinal de contas, falsos profetas, lobos devoradores, são delatados pelos seus frutos. (Mt. 7:15)

As práticas pecaminosas descritas aqui não curam a ferida do povo de Deus. Aumentam-na. Para Jesus falar através de nós e curar o povo é preciso que sejamos mais exemplos que simplesmente canais de comunicação verbal.

O inverno chegou já faz tempo e está durando mais que o normal... Mas o que nos faz sorrir é que Jesus está no templo. Ele passeia pelo templo. E a qualquer hora pára para falar ao corfação de todo aquele que se achega a Ele.

E quando Sua voz é ouvida e Seu ensino atendido e praticado, em nossa vida as palavras de avivamento descritas pelo sábio se tornam realidade:

“O meu Amado fala e me diz: Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem. Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi. Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chegou; e a voz da rola ouve-se em nossa terra.” (Ct. 2:20-12)